Além das figurinhas do álbum da Copa: psicólogo aponta impactos positivos e desafios do colecionismo entre crianças e jovens

Colaboração de Alexandre La Bella

Além das figurinhas do álbum da Copa: psicólogo aponta impactos positivos e desafios do colecionismo entre crianças e jovens

Foto: Nathália Schneider (Arquivo Diário)

A febre do álbum da Copa do Mundo de 2026 voltou a mobilizar crianças, adolescentes e adultos em Santa Maria. Em escolas, pontos de encontro e redes sociais, a troca de figurinhas já virou rotina. Mas, além do entretenimento, o colecionismo também envolve questões emocionais, sociais e comportamentais relacionadas ao desenvolvimento psicógico. Nesta terça-feira (12), em entrevista ao programa F5, da Rádio CDN, o psicólogo cognitivo-comportamental Patrick Ramos Camargo falou sobre os benefícios e os desafios relacionados ao hábito de colecionar, especialmente entre crianças e jovens

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Segundo ele, o álbum pode funcionar como uma importante ferramenta de socialização, aprendizado financeiro e desenvolvimento emocional.


Socialização e poder da troca

Segundo Camargo, um dos principais aspectos positivos do colecionismo está na interação entre crianças e adolescentes. Para ele, a tradição dos álbuns da Copa, que atravessa gerações, estimula habilidades sociais em uma época marcada pelo uso excessivo de telas.

– Elas aprendem o poder da troca, trabalham a frustração, as funções executivas (planejamento, organização, atenção) e a habilidade social de socializar entre grupos – explicou.

O especialista destacou ainda que algumas escolas chegaram a criar horários específicos para troca de figurinhas devido à popularidade da prática entre os estudantes.

– Tem escolas que criaram o dia da troca com horário para eles poderem fazer isso – disse.


Educação financeira desde cedo

Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre o álbum e a educação financeira. Conforme Camargo, as negociações entre crianças durante as trocas ajudam no entendimento sobre valor, escolhas e limites.

As crianças barganham, elas trocam. Isso ensina também sobre poder de troca e de poder opinar – afirmou.

O psicólogo também comentou sobre a importância de os pais estabelecerem limites financeiros para a atividade.

– Se eu vou dar um álbum de figurinha para o meu filho, quanto eu posso colocar no meu orçamento para as figurinhas? É R$ 50 por mês? É R$ 100? – questionou.

Para ele, delimitar gastos ajuda a evitar excessos e ensina planejamento às crianças.


Frustração e aprendizado do “não”

Foto: Nathália Schneider

Camargo afirma que o colecionismo também pode ajudar crianças e adolescentes a lidarem com frustrações, principalmente quando não conseguem completar o álbum rapidamente ou não têm acesso imediato às figurinhas desejadas. Segundo ele, aprender a ouvir “não” faz parte do desenvolvimento emocional.

– Nem sempre a gente vai ter o sim o tempo inteiro. Crianças que se frustram na primeira e na segunda infância têm 85% de chance de não ter depressão na vida adulta, porque aprenderam a ouvir o não – afirmou.

O psicólogo também conta que é comum os pais cederem aos desejos dos filhos para compensar faltas que viveram na própria infância.

– Tu tá passando uma ansiedade, porque quer suprir uma carência que muitas vezes não é da criança – comentou.


Ansiedade e imediatismo

Outro comportamento citado durante a entrevista é a ansiedade para completar rapidamente o álbum. Segundo Camargo, transformar a atividade em uma disputa ou em uma busca imediata pelas figurinhas raras pode prejudicar a experiência.

– Tem que levar isso como uma forma de lazer e tranquilidade, não como competição – explicou.

Ele afirmou que completar o álbum em poucos dias pode fazer com que a experiência perca o sentido, levando à busca imediata por outra atividade.

– Aí tu vai para um outro foco para suprir aquele momento. Não tem mais aquela vontade de trocar e de dar continuidade – disse.


Relação entre pais e filhos

Além dos impactos individuais, Camargo destacou que o colecionismo também pode fortalecer vínculos familiares.

– É uma oportunidade da criança largar o celular, do pai ou da mãe estar presente – afirmou.

Segundo ele, o momento das trocas e da organização das figurinhas também ativa memórias afetivas dos adultos e fortalece a relação entre pais e filhos.

– Quando a gente, por exemplo, pega uma figurinha e lembra da Copa de 1970, lembra Copa de 1950, de algum jogador. Também estamos ativando a nossa memória e também estamos, querendo ou não, enquanto pais, exercitando a nossa cognição – comentou.

O psicólogo ainda ressaltou que hobbies e coleções também podem ser importantes na vida adulta.

– Tu pode colecionar figurinha, moedas, selos ou carros antigos. O colecionismo também é ter um objeto que te traga afeto – concluiu.


Assista à entrevista completa

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